Investigar os três Meios de Comunicação: Rádio, Cinema e Televisão, em especial o estudo de seus distanciamentos e convergências. Proceder a análises de seus produtos específicos e processos de produção, difusão e recepção.

a que viemos

Em uma proto-europa, no primeiro milênio da era cristã, a Fábula era de domínio público pertencendo, portanto, a ninguém. As trocas culturais produzidas pelos vagamundos forneciam as asas para que os mitos pudessem, também por sua vez, vagar pelas regiões isoladas e então rarefeitas de ocupação humana. Desse modo, aqueles poucos incomodados e inquietos que traziam dentro de si o gosto pela aventura e deslocamentos espaciais –

os viajantes – levavam para os habitantes longínquos as suas histórias, que portavam na memória.

Por outro lado, em um sentido inverso, traziam ao retornarem a seu lugar de origem, as histórias vividas realmente, ou de forma imaginária, ou apenas escutadas, lá de bem longe, para quem os escutassem, movidos pelo desejo de saciar o fascínio exercido pelos lugares desconhecidos recheados, em suas narrativas, por lugares exóticos e pessoas diferentes envolvidas em acontecimentos fantásticos, reais ou inventados.

Era, então, o vagar dos mitos universais que traziam em seu bojo as respostas para os temas que inquietavam e povoavam as mentes de pessoas sedentárias, já enraizadas em um determinado local, e que sem sair dali, frutificavam em novas pessoas através de gerações sucessivas para quem, afinal, eram recontadas as fábulas.

O mito pertence a quem tem o “dom” de recontá-lo e que, em troca, lhe dá o “orgulho” de possuir os ouvintes extasiados dispostos a escutá-lo.

O vento e o tempo sepultavam os narradores, mas não a Fábula, que assim como a Terra, no dizer do poeta bíblico, permanecia a mesma, porém, sabemos, que a cada geração sucessiva, nem tanto..

Foi com a indústria da palavra escrita que o “boca/ouvido/boca” , forma primordial da Comunicação, foi sendo aos poucos proscrito. Passou a valer, gradativamente, o registro.

Toda esta divagação, fruto de reflexões que insistem de maneira obsessiva a ocupar a nossa mente, parte da necessidade de entender o processo individual de apropriação do mito e a sua devolução para o espaço, já agora transformado, e portador da chancela de autor para quem se dispõe a recontá-lo, independente de modo, forma, ou suporte.

As tecnologias que propiciam a perenidade do Mito, seja por Palavra ou Imagem/Figura , passa da pedra – primeiro suporte – ao nada da forma digitalizada e armazenada na memória dos computadores, depois de haver se instalado, diacronicamente, em diversos materiais tais como o pano, o papel, o vidro , o vinil, e o metal. Modo ou forma de perpetuação não importa. O que realmente vale é a eternidade do mito primordial – que permanece –

independente de autorias ou versões particulares, dando respostas poéticas/figuradas às indagações do ser humano.


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