06
dez
11

A máquina do tempo

A MÁQUINA DO TEMPO/THE TIME MACHINE, de GEORGE PAL (1960) com ROD TAYLOR e YVETTE MIMIEUX

É bem verdade que ao nascer o Cinema na França sob a forma de espetáculo, ao final do século XIX, ele já começa inaugurando um dos mais importantes gêneros cinematográficos: o Documentarismo, visto que as primeiras platéias se deliciaram com cenas colhidas na rua, tais como trens chegando à sua estação, operários saindo de fábricas, coroações dos últimos reis da terra, entre outros registros de situações realistas por um Cinema que, com seus curtos filmes, não passava de uma das atrações do Teatro voixdeville. E, os primeiros cinegrafistas, com suas câmeras foram enviados para todos os rincões do mundo em busca do inusitado.

Esse segundo movimento inaugurou o que mais tarde poderíamos chamar de Cinema Exótico com o claro objetivo de saciar o desejo de sonho das platéias que cresciam em proporção geométrica a ponto de transformar o novo meio em ‘febre’ mundial. Nele, poder-se-ia ‘viajar’ para qualquer lugar do mundo em troca de alguns minguados níqueis e sem sequer desgrudar da cadeira – e tome Tibet, Tanger, Casablanca, Shangri-la, Marrocos, Lua, e inúmeros outros lugares longínquos e inacessíveis ao cidadão comum.

Foi quando entrou na História do Cinema um mágico louco – tinha que ser um ilusionista – o lendário George Méliès. Já que tudo no Cinema era sonho e ilusão e mentira, Méliès cria os Efeitos Especiais, assumindo o absurdo e o fantástico, em suma, a magia dos sonhos, inventando modos técnicos de captar imagens que provocassem espanto, risos, sustos, e… admiração, ante o maravilhoso que se via.

Não cabe aqui, nesse espaço, viajar demais na questão dos Efeitos Especiais, mas as platéias do mundo inteiro assistiram a violência das águas exibida nos filmes FURACÃO, de John Ford (1937), não sem razão ambientado nos Mares do Sul, e E AS CHUVAS CHEGARAM, de Clarence Brown (1939), que levava os espectadores para os confins da misteriosa Índia. Tudo isso, depois de terem visto, em 1935, a grandiosidade das erupções do Vesúvio e as estarrecedoras cenas de destruição da cidade italiana de Pompéia, na versão do lendário Merian C. Cooper.

È de se indagar o que seria dos filmes estadunidenses se para lá não tivessem acorrido os judeus fugitivos da Hungria, na virada do século XIX para XX. Hollywood recebeu uma leva que se constituía fundamentalmente de fotógrafos e de outros técnicos já iniciados na arte cinematográfica. George Pal foi um deles. Em 1953, realiza a sua premiada versão da A GUERRA DOS MUNDOS, detentora de um Oscar de Melhores Efeitos Especiais, de 1954, adaptada do romance original de H.G. Wells. À obra desse autor retorna, em 1960, na adaptação de A MÁQUINA DO TEMPO.

Como dissemos na semana passada, na oportuna revisão do filme DAQUI A CEM ANOS, ‘a Literatura de Ficção-Científica, ao fim do século XIX, tinha o francês Júlio Verne como seu expoente máximo, a ele de sobrepôs o inglês Herbert George Wells…’ A estreia do escritor inglês se deu com o romance A Máquina do Tempo (1896) que ‘corrigia’ o erro ou deslize da personagem de Verne de Viagem ao Centro da Terra (1864), que voltara sem a comprovação de ter estado em contato com o Passado. Por outro lado, ao retornar do Futuro, a personagem de Wells traz consigo a ‘prova material’ de sua aventura que consiste na principal exigência da Ciência, dita Moderna.

Wells se transformou em verdadeiro divulgador do cientificismo – a crença absoluta da Ciência – mudando o rumo dos seus textos posteriores, praticamente abandonando o gênero romance, da Literatura. Seu texto, sobre a viagem no tempo, e o filme de Pal dele extraído se tornaram seminais, como se comprova pela abundância de filmes realizados sobre viagens ao longo do eixo do Tempo. Um verdadeiro ir e vir mesclando Presente, Passado e Futuro, e às vezes, como requer a Mecânica Quântica, a sobreposição dos segmentos temporais indiferenciados.

A MÁQUINA DO TEMPO, de George Pal, é o filme que será visionado e debatido no CÍRCULO DAS ARTES IMAGÉTICAS, nessa 6ª feira, 09 de dezembro de 2011. Oportunidade única para proceder à análise comparativa das inúmeras adaptações feitas para o Cinema da obra literária que o escritor H. G. Wells legou ao mundo antes de sua morte em 1946.

IMPERDÍVEL!!!


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