01
dez
11

O picolino

O PICOLINO /TOP HAT, de MARK SANDRICH (1935), com FRED ASTAIRE e GINGER ROGERS e a música de IRVING BERLIN

Durante a década de 1930, a primeira do cinema sonoro, o cinema esteve estreitamente vinculado ao Rádio e à Indústria Fonográfica que a este estreitamente se atrelava. À Imagem agora seria incorporado o Som gravado unindo os dois universos – imagético e sonoro – em um só meio de comunicação. Desse modo, houve uma total simbiose nos processos de produção de objetos dirigidos aos principais órgãos sensoriais humanos – Ver e Ouvir – cujo principal resultado foi colocar o Cinema na mesma condição de que se valia o Teatro: ser um meio de comunicação de natureza audiovisual concentrado em um só produto, que passou também a ser o filme cinematográfico.

Junto com o som também migrou para o Cinema a potencialidade de instrumento de publicidade e propaganda que o Rádio explorava com maestria, atingindo até mesmo as pessoas iletradas. Afinal o Cinema se prestou para divulgar através de seus shorts (verdadeiros antepassados dos videoclips e clips musicais de hoje, de claro caráter de publicização) os cantores e cantoras, bem como suas canções, do “novo” meio de comunicação que o Rádio se tornara, acoplado ao Cinema, em epidemia mundial de ‘coqueluche’ dos anos vinte em diante – para confirmação, deve-se tornar a assistir aos filmes A ERA DO RÁDIO, de Woody Allen e CANTANDO NA CHUVA, da dupla Stanley Donen e Gene Kelly. Essa união dos meios – Rádio/Fonografia/Cinema – foi tão profícua e financeiramente salutar para todos que fez com que o Cinema criasse um novo gênero cinematográfico: o filme musical. De 1933 a 1939, a dupla de atores voltou a ser reunida por nove vezes, portanto, às vezes, mais de um filme por ano.

A primeira vez que a dupla dançou junto foi, por mais incrível que pareça, em 1933 no Rio de Janeiro, então capital brasileira. Em seu filme de estréia – VOANDO PARA O RIO – Ginger Rogers e Fred Astaire viajam para o Rio em socorro a dois amigos, um brasileiro e um americano, que disputavam a mesma ‘mocinha’ – a bonita e morena herdeira ‘brasileira’ interpretada pela mexicana Dolores Del Rio, tendo por cenário a Avenida Atlântica com o seu célebre hotel Copacabana Palace.

Dançavam, obviamente, ao som das músicas de ritmos dos Estados Unidos, porém, no Rio encontram um novo ritmo – o ‘cariôca’ – o embrionário ‘samba’ brasileiro que pouco depois seria levado para a Broadway estadunidense pela portuguesa Carmen Miranda. O impacto produzido pelo filme e pelo ritmo brasileiro pode ser traduzido pelo que nos disse, anos depois, o fotógrafo David Zigg, ao comentar que depois de ver VOANDO PARA O RIO disse a si mesmo, ao arrumar as malas, ser o Rio o lugar em que iria viver e morar.

Em 1935, a dupla volta a se reunir agora em Londres, na Inglaterra, para o que talvez seja o seu mais importante filme: Top Hat, aqui chamado de O Picolino. Uma sátira ácida e ao mesmo tempo divertida à sisudez dos ingleses temperada pelas canções de Irving Berlin e direção musical do maestro Max Steiner e as magistrais evoluções da dupla de dançarinos mais famosos do Cinema.

O filme escolhido pelos fiéis freqüentadores do CineClube da 3ªIDADE “Maria José Sodré”O PICOLINO – para esta 6ª feira, 02 de dezembro de 2011, é a oportunidade de se ver em ação a grande dupla de dançarinos, Fred Astaire e Ginger Rogers, em seu filme maior, cuja importância na cultura cinematográfica pode ser conferida bastando lembrar os filmes GINGER & FRED (italiano), de Federico Fellini, e ELSA & FRED (argentino), de Marcos Carnevale, já vistos em nosso cineclube. IMPERDÍVEL !


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