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dez
11

Daqui a cem anos

DAQUI A CEM ANOS/THINGS TO COME, de WILLIAM CAMERON MENZIES (1936-39) com RAYMOND MASSEY, RALPH RICHARDSON e ANN TODD

Por séculos, as duas nações européias França e Inglaterra empreenderam entre si todos os tipos de guerra, e em todas as frentes possíveis e imagináveis, na disputa pela supremacia mundial. Poderíamos dizer, se o fato não fosse sérío em demasia , que a rivalidade tresandava e tresanda àquela existente entre ‘Rio de Janeiro X São Paulo’, ou entre ‘Fla X Flu’.

Se a Literatura de Ficção-Científica, ao fim do século XIX, tinha o francês Júlio Verne como seu expoente máximo, a ele de sobrepôs o inglês Herbert George Wells, com a conivência do escritor argentino anglófilo, Borges. Já se prenunciava, desde então, a investida inglesa na busca pela hegemonia cultural. A estreia do escritor inglês se deu com o romance A Máquina do Tempo (1896) que ‘corrigia’ o erro ou deslize da personagem de Verne de Viagem ao Centro da Terra (1864), que voltara sem a comprovação de ter estado em contato com o Passado. Por outro lado, ao retornar do Futuro, a personagem de Wells traz consigo a ‘prova material’ de sua aventura que consiste na principal exigência da Ciência, dita Moderna.

Até a década de 1950, nas escolas brasileiras, desses povos beligerantes, a língua inglesa era ensinada como a língua do Comércio, ao passo que a francesa seria a língua da Cultura e da Diplomacia. O tempo passou e da união estreita entre a Inglaterra e seu filho, os Estados Unidos, resultou a vitória da língua inglesa que notoriamente, na atualidade, se transformou, passo a passo, em universal, hegemônica nas relações, tanto comerciais quanto culturais, empreendidas por todas as nações da terra.

Para a França de Sarkozy e com Sarkozy, pode-se observar, com um olhar mais atento que ‘a guerra acabou’, como no Cinema, anteriormente disseram o cineasta Alain Resnais e o ator Yves Montand no filme A Guerra Acabou/La Guerre est finie. Em suma, a França capitulou! E também sucumbe Paris, antes a ‘cidade-luz’ ante a cosmopolita Nova Iorque, como centro ou pulmão ou coração do Estado Globalizado Moderno.

As duas grandes guerras mundiais ocorridas na primeira metade do século passado, entre outras versões que analisam as suas causas e pretextos, apontam para a luta entre os principais países europeus pelo domínio do restante do mundo que mantinham retalhado como colônias.

Foi o horror da primeira grande guerra (1914-18) que fez H.G.Wells abandonar a produção da literatura romanceada e embarcar na difusão da idéia do Estado Globalizado Moderno em sua grande obra composta por 10 alentados volumes , editado no Brasil pela Companhia Editora Nacional, em 1956, com traduções de Anísio Teixeira e Monteiro Lobato. Justo Lobato foi o tradutor do décimo volume que no Brasil se intitulou História do Futuro cujo título original é The Shape of Things to Come e que gerou o filme DAQUI A CEM ANOS, cujo título original é Things to Come, uma produção britânica de 1936 cuja realização que durou três anos foi levada a cabo pelo produtor Alexander Korda.

Diz-se que Wells participou ativamente como roteirista na adaptação de sua própria obra para o Cinema O título brasileiro do filme repete uma mania errônea que os distribuidores de filme estrangeiros no Brasil nunca abandonam, ou seja, rebatizar o filme pelo conteúdo. Como o filme se inicia em 1936 e termina em 2036, por esse motivo ‘as coisas que virão’ imaginadas por Wells se confundem com outro título de um outro romance de ficção-científica do romancista estadunidense Edward Bellamy, lançado no Brasil como DAQUI A CEM ANOS – Revendo o Futuro. Não se deve duvidar que Wells tenha bebido em Bellamy para construir a sua visão do futuro da humanidade.

DAQUI A CEM ANOS, de WILLIAM CAMERON MENZIES, é o filme que será visionado e debatido no CÍRCULO DAS ARTES IMAGÉTICAS, nessa 6ª feira, 02 de dezembro de 2011. Um filme mais Raro do que Clássico e a única das inúmeras adaptações de sua obra literária que o escritor H. G. Wells assistiu antes de sua morte em 1946. IMPERDÍVEL!!!


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