MACBETH /IDEM, de ORSON WELLES (1948) com ORSON WELLES e JEANETTE NOLAN
Exatamente neste ano que ora se encerra, 2011, faz setenta anos que foi lançado o filme que é considerado como a obra-prima do cineasta Orson Welles: CIDADÃO KANE/Citizen Kane (1941) – para sua glória e pesar.
Glória, pois, foi quando entrou na História do Cinema com o filme sendo aclamado com unanimidade pela crítica cinematográfica mundial como o “maior” filme já realizado em todos os tempos. Pesar, pois, foi em virtude de seu tema principal ser a ambição humana que o filme quase acabou com a carreira do cineasta.
Um poderoso do ramo da Comunicação – William Randolph Hearst, um magnata dono de um império de Comunicação composto de jornais, revistas e emissoras de Rádio (em tudo semelhante ao nosso compatriota, Roberto Marinho), advertido por uma de suas áulicas, se viu usado como pessoa real transformado em personagem depreciativa. Bastou para que banisse dos Estados Unidos tanto o filme quanto o diretor.
Insistente, Welles consegue realizar seu segundo filme The Magnificent Ambersons, aqui no Brasil, coisa rara, inteligentemente chamado de SOBERBA. Parece que a teimosia de Welles não tem fim! Buscou respaldo na literatura dramática clássica, e continuou a bater firme no mesmo tema.
O texto clássico do Teatro atribuído ao escritor inglês Shakespeare investe sobre as duas paixões aristotélicas que vicejam no coração de todo o ser humano: de um lado, tem-se a Vaidade ou Soberba que nos incita a nos considerar melhor e mais importante que os outros, ou pelo menos a desejar a ser; por outro lado, após tida como certeza, é a hora de advogar-se o direito de decisão extrema de vida e de morte sobre a própria vida e a dos outros. É a partir da Vaidade, ou Soberba, que nos arrogamos o direito ao Poder, instância máxima da Ambição. Aos embriagados pela Ambição já não basta ser o Senhor de si próprio, pois o Poder que a ela está atrelado nos faz julgar que somos superiores a qualquer outro.
Parece que Orson Welles esteve sempre, em suas obras, a ridicularizar estas duas paixões, ou como se quiserem, pecados humanos. Bem mais tarde, já no seu exílio europeu, torna a investir sobre a megalomania do ser humano, fruto do excesso de poder, em um filme realizado para a televisão francesa – Uma História Imortal, apropriando-se de uma personagem da escritora dinamarquesa, Isak Dinessen, que se arroga o direito de ser Deus. Essa obra de Welles, vimos e debatemos exaustivamente neste ano aqui em nosso espaço do Círculo.
- O desejo pelo Poder, a sua embriaguês como conseqüência, é maior no homem que executa as ações ou na mulher que por detrás o insufla?
- À figura de um grande homem sempre existe, ao seu lado, uma mulher ainda maior que ele?
- Quantas mulheres que cada um de nós conhece empurram o homem para a ação? Quantas Ladies Macbeths vão ao extremo, e a ele levam seus homens, mesmo que seja a custa de um pacto com o Demônio trocando suas almas pelo Poder?
As respostas ou dúvidas a essas indagações podem ser conferidas tanto no texto shakesperiano quanto no texto imagético de Welles.
MACBETH, de Orson Welles, é o filme que será visionado e debatido no CÍRCULO DAS ARTES IMAGÉTICAS, nessa 6ª feira, 16 de dezembro de 2011. Cremos ser um encerramento de ouro para a temporada 2011 de nosso Círculo das Artes Imagéticas. Uma proposta de análise, lançada pelo cineasta Orson Welles, a partir do texto teatral clássico shakesperiano, que propicia a discussão de dois dos maiores pecados capitais cometidos pelos seres humanos, em todas as épocas de sua evolução, desde os tempos primordiais aos atuais, que enche igualmente o coração dos homens e mulheres: Ambição e Vaidade.
Cinema e Teatro, irmãos gêmeos comunicacionais, postos em discussão.
IMPERDÍVEL!!!









