14
dez
11

Macbeth

MACBETH /IDEM, de ORSON WELLES (1948) com ORSON WELLES e JEANETTE NOLAN

Exatamente neste ano que ora se encerra, 2011, faz setenta anos que foi lançado o filme que é considerado como a obra-prima do cineasta Orson Welles: CIDADÃO KANE/Citizen Kane (1941) – para sua glória e pesar.

Glória, pois, foi quando entrou na História do Cinema com o filme sendo aclamado com unanimidade pela crítica cinematográfica mundial como o “maior” filme já realizado em todos os tempos. Pesar, pois, foi em virtude de seu tema principal ser a ambição humana que o filme quase acabou com a carreira do cineasta.

Um poderoso do ramo da Comunicação – William Randolph Hearst, um magnata dono de um império de Comunicação composto de jornais, revistas e emissoras de Rádio (em tudo semelhante ao nosso compatriota, Roberto Marinho), advertido por uma de suas áulicas, se viu usado como pessoa real transformado em personagem depreciativa. Bastou para que banisse dos Estados Unidos tanto o filme quanto o diretor.

Insistente, Welles consegue realizar seu segundo filme The Magnificent Ambersons, aqui no Brasil, coisa rara, inteligentemente chamado de SOBERBA. Parece que a teimosia de Welles não tem fim! Buscou respaldo na literatura dramática clássica, e continuou a bater firme no mesmo tema.

O texto clássico do Teatro atribuído ao escritor inglês Shakespeare investe sobre as duas paixões aristotélicas que vicejam no coração de todo o ser humano: de um lado, tem-se a Vaidade ou Soberba que nos incita a nos considerar melhor e mais importante que os outros, ou pelo menos a desejar a ser; por outro lado, após tida como certeza, é a hora de advogar-se o direito de decisão extrema de vida e de morte sobre a própria vida e a dos outros. É a partir da Vaidade, ou Soberba, que nos arrogamos o direito ao Poder, instância máxima da Ambição. Aos embriagados pela Ambição já não basta ser o Senhor de si próprio, pois o Poder que a ela está atrelado nos faz julgar que somos superiores a qualquer outro.

Parece que Orson Welles esteve sempre, em suas obras, a ridicularizar estas duas paixões, ou como se quiserem, pecados humanos. Bem mais tarde, já no seu exílio europeu, torna a investir sobre a megalomania do ser humano, fruto do excesso de poder, em um filme realizado para a televisão francesa – Uma História Imortal, apropriando-se de uma personagem da escritora dinamarquesa, Isak Dinessen, que se arroga o direito de ser Deus. Essa obra de Welles, vimos e debatemos exaustivamente neste ano aqui em nosso espaço do Círculo.

- O desejo pelo Poder, a sua embriaguês como conseqüência, é maior no homem que executa as ações ou na mulher que por detrás o insufla?

- À figura de um grande homem sempre existe, ao seu lado, uma mulher ainda maior que ele?

- Quantas mulheres que cada um de nós conhece empurram o homem para a ação? Quantas Ladies Macbeths vão ao extremo, e a ele levam seus homens, mesmo que seja a custa de um pacto com o Demônio trocando suas almas pelo Poder?

As respostas ou dúvidas a essas indagações podem ser conferidas tanto no texto shakesperiano quanto no texto imagético de Welles.

MACBETH, de Orson Welles, é o filme que será visionado e debatido no CÍRCULO DAS ARTES IMAGÉTICAS, nessa 6ª feira, 16 de dezembro de 2011. Cremos ser um encerramento de ouro para a temporada 2011 de nosso Círculo das Artes Imagéticas. Uma proposta de análise, lançada pelo cineasta Orson Welles, a partir do texto teatral clássico shakesperiano, que propicia a discussão de dois dos maiores pecados capitais cometidos pelos seres humanos, em todas as épocas de sua evolução, desde os tempos primordiais aos atuais, que enche igualmente o coração dos homens e mulheres: Ambição e Vaidade.

Cinema e Teatro, irmãos gêmeos comunicacionais, postos em discussão.

IMPERDÍVEL!!!

14
dez
11

6º Ciclo de natal – programação

6º CICLO DE NATAL

CineClube Maria José Sodré

Criação e Realização do Programa de Mestrado em Comunicação e Cultura da Universidade de Sorocaba – UNISO, em parceria com Universidade da 3ªIDADE da UNISO e do Programa de Extensão da UFSCar-Sorocaba

NATAL 2011

Programação

Dia 14/DEZ, local: UFSCar-Sta. Rosália

NOITE FELIZum Natal com JOSÉ CARRERAS

(com a participação especial de PAVAROTTI)

..

Dia 15/DEZ, local: Seminário-UNISO

Tradicional Festa de Natal da 3ªIDADE da UNISO

(jogos, festas e brincadeiras)

..

Dia 16/DEZ, local: UFSCar-Sta. Rosália

PECADO DE AMORcom SARITA MONTIEL

(sempre às 14:00h)

..

Confira entrevista com o professor doutor Paulo Schettino:

06
dez
11

A máquina do tempo

A MÁQUINA DO TEMPO/THE TIME MACHINE, de GEORGE PAL (1960) com ROD TAYLOR e YVETTE MIMIEUX

É bem verdade que ao nascer o Cinema na França sob a forma de espetáculo, ao final do século XIX, ele já começa inaugurando um dos mais importantes gêneros cinematográficos: o Documentarismo, visto que as primeiras platéias se deliciaram com cenas colhidas na rua, tais como trens chegando à sua estação, operários saindo de fábricas, coroações dos últimos reis da terra, entre outros registros de situações realistas por um Cinema que, com seus curtos filmes, não passava de uma das atrações do Teatro voixdeville. E, os primeiros cinegrafistas, com suas câmeras foram enviados para todos os rincões do mundo em busca do inusitado.

Esse segundo movimento inaugurou o que mais tarde poderíamos chamar de Cinema Exótico com o claro objetivo de saciar o desejo de sonho das platéias que cresciam em proporção geométrica a ponto de transformar o novo meio em ‘febre’ mundial. Nele, poder-se-ia ‘viajar’ para qualquer lugar do mundo em troca de alguns minguados níqueis e sem sequer desgrudar da cadeira – e tome Tibet, Tanger, Casablanca, Shangri-la, Marrocos, Lua, e inúmeros outros lugares longínquos e inacessíveis ao cidadão comum.

Foi quando entrou na História do Cinema um mágico louco – tinha que ser um ilusionista – o lendário George Méliès. Já que tudo no Cinema era sonho e ilusão e mentira, Méliès cria os Efeitos Especiais, assumindo o absurdo e o fantástico, em suma, a magia dos sonhos, inventando modos técnicos de captar imagens que provocassem espanto, risos, sustos, e… admiração, ante o maravilhoso que se via.

Não cabe aqui, nesse espaço, viajar demais na questão dos Efeitos Especiais, mas as platéias do mundo inteiro assistiram a violência das águas exibida nos filmes FURACÃO, de John Ford (1937), não sem razão ambientado nos Mares do Sul, e E AS CHUVAS CHEGARAM, de Clarence Brown (1939), que levava os espectadores para os confins da misteriosa Índia. Tudo isso, depois de terem visto, em 1935, a grandiosidade das erupções do Vesúvio e as estarrecedoras cenas de destruição da cidade italiana de Pompéia, na versão do lendário Merian C. Cooper.

È de se indagar o que seria dos filmes estadunidenses se para lá não tivessem acorrido os judeus fugitivos da Hungria, na virada do século XIX para XX. Hollywood recebeu uma leva que se constituía fundamentalmente de fotógrafos e de outros técnicos já iniciados na arte cinematográfica. George Pal foi um deles. Em 1953, realiza a sua premiada versão da A GUERRA DOS MUNDOS, detentora de um Oscar de Melhores Efeitos Especiais, de 1954, adaptada do romance original de H.G. Wells. À obra desse autor retorna, em 1960, na adaptação de A MÁQUINA DO TEMPO.

Como dissemos na semana passada, na oportuna revisão do filme DAQUI A CEM ANOS, ‘a Literatura de Ficção-Científica, ao fim do século XIX, tinha o francês Júlio Verne como seu expoente máximo, a ele de sobrepôs o inglês Herbert George Wells…’ A estreia do escritor inglês se deu com o romance A Máquina do Tempo (1896) que ‘corrigia’ o erro ou deslize da personagem de Verne de Viagem ao Centro da Terra (1864), que voltara sem a comprovação de ter estado em contato com o Passado. Por outro lado, ao retornar do Futuro, a personagem de Wells traz consigo a ‘prova material’ de sua aventura que consiste na principal exigência da Ciência, dita Moderna.

Wells se transformou em verdadeiro divulgador do cientificismo – a crença absoluta da Ciência – mudando o rumo dos seus textos posteriores, praticamente abandonando o gênero romance, da Literatura. Seu texto, sobre a viagem no tempo, e o filme de Pal dele extraído se tornaram seminais, como se comprova pela abundância de filmes realizados sobre viagens ao longo do eixo do Tempo. Um verdadeiro ir e vir mesclando Presente, Passado e Futuro, e às vezes, como requer a Mecânica Quântica, a sobreposição dos segmentos temporais indiferenciados.

A MÁQUINA DO TEMPO, de George Pal, é o filme que será visionado e debatido no CÍRCULO DAS ARTES IMAGÉTICAS, nessa 6ª feira, 09 de dezembro de 2011. Oportunidade única para proceder à análise comparativa das inúmeras adaptações feitas para o Cinema da obra literária que o escritor H. G. Wells legou ao mundo antes de sua morte em 1946.

IMPERDÍVEL!!!

06
dez
11

A um passo da eternidade

A UM PASSO DA ETERNIDADE /FROM HERE TO ETERNITY, de FRED ZINNEMANN (1953), com BURT LANCASTER, DEBORAH KERR, MONTGOMERY CLIFT, DONNA REED e FRANK SINATRA

Primeiro existiu o romance homônimo escrito por James Jones que ao ser lançado causou uma verdadeira corrida de leitores às livrarias. Desse modo foi transformado em best-seller mais ainda quando a crítica literária o saudou entusiasticamente como podemos perceber pelo que dele disse o jornal The Washington Post: “Magnífico… cruamente franco. (…) É a expressão da fraternidade entre os homens e das desumanidades de um homem para com o outro que empresta grandeza a este romance.”. Foi considerado um dos grandes épicos sobre a II Guerra Mundial.

Era fatal que virasse filme mesmo que a crueza da narrativa tornasse o projeto perigoso ante à censura hipocritamente moralista que pairava nos EUA desde os anos 30. Porém, no início da década de 50, os filmes produzidos nos Estados Unidos estavam perdendo o público para os filmes europeus que ousavam desvelar a questão da sexualidade. A França de Brigitte Bardot e seu E DEUS CRIOU A MULHER, dirigido por seu marido Roger Vadin, explodiu como uma bomba em todas as telas do mundo inteiro. Então, em 1953, dois filmes desafiaram a puritana censura ao serem realizados e interpretados por atores hollywoodianos: INGÊNUA ATÉ CERTO PONTO, de Otto Preminger, e esse A UM PASSO DA ETERNIDADE, dirigido por Fred Zinnemann.

Tanto o livro quanto o filme ficarão na História em virtude da coragem de seus autores de denunciarem o absurdo da guerra e o abuso de exercício de poder originado pela exigência de obediência cega existente no militarismo. Mais ainda, a defesa da mulher casada que ousa tomar amante quando é infeliz no casamento.

O elenco está perfeito nas caracterizações de suas personagens. Todos os atores e atrizes mereciam prêmios de interpretação: Burt Lancaster, Montgomery Clift, Deborah Kerr ( como a adúltera), Donna Reed (como a prostituta), e Frank Sinatra. Apenas os dois últimos receberam o Oscar, ambos na categoria de coadjuvantes. Se Frank Sinatra merecia ou não o prêmio de interpretação é uma questão que mais tarde se impôs, porém, ao assistirmos ao filme fica evidente a repulsa que sentimos com Ernest Borgnine e sua personagem sádica e malvada. Repulsa que é a resposta do espectador a uma interpretação forte e convincente de ator. Mais tarde, apenas dois anos depois, com o filme MARTY(1955), Borgnine se vingaria de sua rejeição recebendo por esse filme o prêmio Oscar máximo de interpretação masculina.

Ao filme pertence a cena do ‘beijo cinematográfico’ mais famosa do cinema em que Burt Lancaster e Deborah Kerr rolam na areia lambidos pelo mar. Apesar de plagiar uma cena do filme BEAU GESTE, o grande ator que foi Montgomery Clift arranca lágrimas da platéia quando aos prantos homenageia seu amigo morto (Frank Sinatra) e solitário no pátio da caserna toca o ‘Silêncio’.

A cena do ataque da aviação japonesa à base militar estadunidense, localizada em Pearl Harbor, no Havaí – motivo ou pretexto para a entrada dos Estados Unidos na II Guerra Mundial – está filmada de forma eletrizante e a técnica da utilização do som no matraquear das metralhadoras está perfeita como técnica. Atentem!

Tudo está perfeito no filme e não é de se admirar de ter conseguido oito prêmios Oscar no ano de 1953. Com justiça, dois deles foram para o filme e para o diretor, Zinnemann.

Essa ‘reprise’ do filme escolhido pelos fiéis freqüentadores do CineClube da 3ªIDADE “Maria José Sodré”A UM PASSO DA ETERNIDADE – para esta 6ª feira, 09 de dezembro de 2011, é dedicada ao casal Cabral e Adelaide que faz cinco anos acompanham as sessões do CineClube. Para os outros, oportunidade para ver ou rever um grande clássico do cinema de Hollywood.

IMPERDÍVEL !

01
dez
11

Daqui a cem anos

DAQUI A CEM ANOS/THINGS TO COME, de WILLIAM CAMERON MENZIES (1936-39) com RAYMOND MASSEY, RALPH RICHARDSON e ANN TODD

Por séculos, as duas nações européias França e Inglaterra empreenderam entre si todos os tipos de guerra, e em todas as frentes possíveis e imagináveis, na disputa pela supremacia mundial. Poderíamos dizer, se o fato não fosse sérío em demasia , que a rivalidade tresandava e tresanda àquela existente entre ‘Rio de Janeiro X São Paulo’, ou entre ‘Fla X Flu’.

Se a Literatura de Ficção-Científica, ao fim do século XIX, tinha o francês Júlio Verne como seu expoente máximo, a ele de sobrepôs o inglês Herbert George Wells, com a conivência do escritor argentino anglófilo, Borges. Já se prenunciava, desde então, a investida inglesa na busca pela hegemonia cultural. A estreia do escritor inglês se deu com o romance A Máquina do Tempo (1896) que ‘corrigia’ o erro ou deslize da personagem de Verne de Viagem ao Centro da Terra (1864), que voltara sem a comprovação de ter estado em contato com o Passado. Por outro lado, ao retornar do Futuro, a personagem de Wells traz consigo a ‘prova material’ de sua aventura que consiste na principal exigência da Ciência, dita Moderna.

Até a década de 1950, nas escolas brasileiras, desses povos beligerantes, a língua inglesa era ensinada como a língua do Comércio, ao passo que a francesa seria a língua da Cultura e da Diplomacia. O tempo passou e da união estreita entre a Inglaterra e seu filho, os Estados Unidos, resultou a vitória da língua inglesa que notoriamente, na atualidade, se transformou, passo a passo, em universal, hegemônica nas relações, tanto comerciais quanto culturais, empreendidas por todas as nações da terra.

Para a França de Sarkozy e com Sarkozy, pode-se observar, com um olhar mais atento que ‘a guerra acabou’, como no Cinema, anteriormente disseram o cineasta Alain Resnais e o ator Yves Montand no filme A Guerra Acabou/La Guerre est finie. Em suma, a França capitulou! E também sucumbe Paris, antes a ‘cidade-luz’ ante a cosmopolita Nova Iorque, como centro ou pulmão ou coração do Estado Globalizado Moderno.

As duas grandes guerras mundiais ocorridas na primeira metade do século passado, entre outras versões que analisam as suas causas e pretextos, apontam para a luta entre os principais países europeus pelo domínio do restante do mundo que mantinham retalhado como colônias.

Foi o horror da primeira grande guerra (1914-18) que fez H.G.Wells abandonar a produção da literatura romanceada e embarcar na difusão da idéia do Estado Globalizado Moderno em sua grande obra composta por 10 alentados volumes , editado no Brasil pela Companhia Editora Nacional, em 1956, com traduções de Anísio Teixeira e Monteiro Lobato. Justo Lobato foi o tradutor do décimo volume que no Brasil se intitulou História do Futuro cujo título original é The Shape of Things to Come e que gerou o filme DAQUI A CEM ANOS, cujo título original é Things to Come, uma produção britânica de 1936 cuja realização que durou três anos foi levada a cabo pelo produtor Alexander Korda.

Diz-se que Wells participou ativamente como roteirista na adaptação de sua própria obra para o Cinema O título brasileiro do filme repete uma mania errônea que os distribuidores de filme estrangeiros no Brasil nunca abandonam, ou seja, rebatizar o filme pelo conteúdo. Como o filme se inicia em 1936 e termina em 2036, por esse motivo ‘as coisas que virão’ imaginadas por Wells se confundem com outro título de um outro romance de ficção-científica do romancista estadunidense Edward Bellamy, lançado no Brasil como DAQUI A CEM ANOS – Revendo o Futuro. Não se deve duvidar que Wells tenha bebido em Bellamy para construir a sua visão do futuro da humanidade.

DAQUI A CEM ANOS, de WILLIAM CAMERON MENZIES, é o filme que será visionado e debatido no CÍRCULO DAS ARTES IMAGÉTICAS, nessa 6ª feira, 02 de dezembro de 2011. Um filme mais Raro do que Clássico e a única das inúmeras adaptações de sua obra literária que o escritor H. G. Wells assistiu antes de sua morte em 1946. IMPERDÍVEL!!!

01
dez
11

O picolino

O PICOLINO /TOP HAT, de MARK SANDRICH (1935), com FRED ASTAIRE e GINGER ROGERS e a música de IRVING BERLIN

Durante a década de 1930, a primeira do cinema sonoro, o cinema esteve estreitamente vinculado ao Rádio e à Indústria Fonográfica que a este estreitamente se atrelava. À Imagem agora seria incorporado o Som gravado unindo os dois universos – imagético e sonoro – em um só meio de comunicação. Desse modo, houve uma total simbiose nos processos de produção de objetos dirigidos aos principais órgãos sensoriais humanos – Ver e Ouvir – cujo principal resultado foi colocar o Cinema na mesma condição de que se valia o Teatro: ser um meio de comunicação de natureza audiovisual concentrado em um só produto, que passou também a ser o filme cinematográfico.

Junto com o som também migrou para o Cinema a potencialidade de instrumento de publicidade e propaganda que o Rádio explorava com maestria, atingindo até mesmo as pessoas iletradas. Afinal o Cinema se prestou para divulgar através de seus shorts (verdadeiros antepassados dos videoclips e clips musicais de hoje, de claro caráter de publicização) os cantores e cantoras, bem como suas canções, do “novo” meio de comunicação que o Rádio se tornara, acoplado ao Cinema, em epidemia mundial de ‘coqueluche’ dos anos vinte em diante – para confirmação, deve-se tornar a assistir aos filmes A ERA DO RÁDIO, de Woody Allen e CANTANDO NA CHUVA, da dupla Stanley Donen e Gene Kelly. Essa união dos meios – Rádio/Fonografia/Cinema – foi tão profícua e financeiramente salutar para todos que fez com que o Cinema criasse um novo gênero cinematográfico: o filme musical. De 1933 a 1939, a dupla de atores voltou a ser reunida por nove vezes, portanto, às vezes, mais de um filme por ano.

A primeira vez que a dupla dançou junto foi, por mais incrível que pareça, em 1933 no Rio de Janeiro, então capital brasileira. Em seu filme de estréia – VOANDO PARA O RIO – Ginger Rogers e Fred Astaire viajam para o Rio em socorro a dois amigos, um brasileiro e um americano, que disputavam a mesma ‘mocinha’ – a bonita e morena herdeira ‘brasileira’ interpretada pela mexicana Dolores Del Rio, tendo por cenário a Avenida Atlântica com o seu célebre hotel Copacabana Palace.

Dançavam, obviamente, ao som das músicas de ritmos dos Estados Unidos, porém, no Rio encontram um novo ritmo – o ‘cariôca’ – o embrionário ‘samba’ brasileiro que pouco depois seria levado para a Broadway estadunidense pela portuguesa Carmen Miranda. O impacto produzido pelo filme e pelo ritmo brasileiro pode ser traduzido pelo que nos disse, anos depois, o fotógrafo David Zigg, ao comentar que depois de ver VOANDO PARA O RIO disse a si mesmo, ao arrumar as malas, ser o Rio o lugar em que iria viver e morar.

Em 1935, a dupla volta a se reunir agora em Londres, na Inglaterra, para o que talvez seja o seu mais importante filme: Top Hat, aqui chamado de O Picolino. Uma sátira ácida e ao mesmo tempo divertida à sisudez dos ingleses temperada pelas canções de Irving Berlin e direção musical do maestro Max Steiner e as magistrais evoluções da dupla de dançarinos mais famosos do Cinema.

O filme escolhido pelos fiéis freqüentadores do CineClube da 3ªIDADE “Maria José Sodré”O PICOLINO – para esta 6ª feira, 02 de dezembro de 2011, é a oportunidade de se ver em ação a grande dupla de dançarinos, Fred Astaire e Ginger Rogers, em seu filme maior, cuja importância na cultura cinematográfica pode ser conferida bastando lembrar os filmes GINGER & FRED (italiano), de Federico Fellini, e ELSA & FRED (argentino), de Marcos Carnevale, já vistos em nosso cineclube. IMPERDÍVEL !

24
nov
11

A patrulha perdida

A PATRULHA PERDIDA/THE LOST PATROL, de JOHN FORD (1934) com VICTOR McLAGLEN, WALLACE FORD e BORIS KARLOFF

Por décadas este filme do diretor John Ford era apenas um verbete dos livros de Cinema. A geração da Terceira Idade dos anos 1950 é que falava dele com muita freqüência e com saudade. Nós, então mais jovens, gostaríamos de entender o que haveria de especial nesse filme. Mas vivia-se um tempo em que o Cinema ainda muito se assemelhava ao Teatro: “Quem não viu, não mais terá oportunidade de ver – o instante não se repete”. Precisou vir o vídeo tape (imagens gravadas em fitas magnéticas) com o seu produto materializado – o vídeo cassete, e depois o DVD, com as cópias dos filmes utilizando o suporte do disco rígido metálico, e agora o luxo dos HD com as cópias digitalizadas com recortes e definição incríveis de imagens. Agora, livros e filmes compartilham espaço em nossas estantes… Damo-nos ao luxo de reler um romance ou rever um filme sempre que nos aprouver.

A Patrulha Perdida” foi realizado em 1934 e vê-lo, hoje, nos espanta pela qualidade tanto no aspecto de forma quanto de conteúdo.

A história é extremamente simples: um pelotão de militares ingleses vagando perdido pelos desertos escaldantes da Mesopotâmia, em 1917, enquanto a Europa se dilacerava e sangrava na Primeira Guerra Mundial. É de se perguntar o que estariam fazendo ali, tão longe de sua pátria. Os filmes cinematográficos lançados hoje, com todos os requintes da tecnologia computadorizada do Cinema atual, recontam quase a mesma história apenas colocando, ao invés dos ingleses, os seus herdeiros: os soldados dos Estados Unidos, na Babilônia.

Realizado sem os aparatos tecnológicos atualmente disponíveis, o filme é um exercício de criatividade própria de um tempo em que o Cinema era estritamente uma arte visual. Amparado por uma fotografia que desenha com os claros e escuros da imagem em preto e branco, e sublinhado por uma música grandiloqüente de mestre, o filme aborda e reforça o Mito do Herói – o homem em AÇÃO.

Inúmeras são as possibilidades de buscar o verdadeiro significado do filme, ou significados. Muitas vertentes se abrem ao olhar do pesquisador do audiovisual. Tanto em relação ao rigor da forma quanto à mensagem a qual está atrelado.

Quase uma parábola ao machismo e à capacidade da resistência humana, estóica, em seu desespero, quando ao ser humano é chegada a hora de encarar sua finitude, e a probabilidade da morte iminente.

Deve-se estar atento à interpretação ‘over’ do jovem e iniciante Boris Karloff que mais tarde iria se transformar em um ícone eterno do Cinema com sua interpretação do Monstro do Dr. Frankenstein – ator e sua personagem que seriam indissociáveis.

Poucos filmes, como esse, merecem a alcunha de obra-prima!

A PATRULHA PERDIDA, de JOHN FORD, é o filme que será visionado e debatido no CÍRCULO DAS ARTES IMAGÉTICAS, nessa 6ª feira, 25 de novembro de 2011. Um filme Clássico e Raro da extensa filmografia do importante diretor John Ford.

Oportunidade única para conferir a razão dos críticos cinematográficos considerarem a década de 1930 como a mais representativa do cinema estadunidense com um filme do início dos chamados “anos de ouro de Hollywood”(1934). IMPERDÍVEL!!!

24
nov
11

O passado não perdoa

O PASSADO NÃO PERDOA/THE UNFORGIVEN, de JOHN HUSTON (1960), com BURT LANCASTER, AUDREY HEPBURN e LILLIAN GISH.

Na sexta-feira desta semana – 25/11/11, o CineClube da Terceira Idade “Maria José Sodré”, exibe um filme do festejado diretor estadunidense, John Huston – O PASSADO NÃO PERDOA/The Unforgiven.

Apesar de sua notoriedade estar atrelada aos filmes que fez do gênero noir – como O Falcão Maltês ou, como preferirem, Relíquia Macabra (é o mesmo filme com dois nomes) e O Segredo das Jóias, e por isso mesmo usar quase sempre a temática urbana e o herói-bandido (ou anti-herói), aqui ele se aventura no gênero western. Pelo menos no ‘faroeste’ ele pôde extravasar a sua paixão por cavalos – exemplarmente utilizada na seqüência final do The Asphalt Jungle, título original de O Segredo das Jóias e, principalmente, no filme que ele reuniu Marilyn Monroe, Clark Gable, Montgomery Clift e Thelma Ritter: o seu inesquecível The Misfits, aqui chamado de Os Desajustados.

A maior dificuldade enfrentada por um tradutor quando empreende uma tradução interlingual, ou versão, decorre do fato de toda PALAVRA, pronunciada ou escrita, ser um símbolo pertencente a quem a emite. É por essa razão que toda e qualquer palavra admitirá um número infinito de significados na língua de chegada quando se tenta traduzi-la a partir de como foi emitida na língua original. O escritor brasileiro Ruy Castro quando traduziu os contos da escritora Dorothy Parker para a edição brasileira de seu ‘Big’ Loira usou com maestria a utilização do linguajar coloquial brasileiro para os leitores brasileiros.

Na língua inglesa existem duas palavras, ambas são adjetivos, que quando traduzidas produzem falsos cognatos. São elas, porém não as únicas para tormento dos tradutores: unforgettable e unforgivable, que traduzidas inadvertidamente remetem à idéia de ‘inesquecível’, como a Rebecca do filme de Hitchcock. Quando se deseja substantivar um adjetivo, tanto aqui como lá, antepõe-se a ele um artigo. É o caso do título original de O Passado Não Perdoa: THE unforgiven. Se forget é esquecer, forgive é perdoar. Antecedido pelo artigo ‘O’ em português, unforgiven se transforma na ‘coisa’ que ‘não se perdoa’ , não é mais imperdoável e sim ‘o” imperdoável.

De que coisas ‘imperdoáveis’ trata o filme? Pelo menos duas: miscigenação e incesto. Desde o início do expansionismo do império inglês era ‘imperdoável’ que ingleses nativos se misturassem sexualmente com os nativos das colônias – origem do Apartheid, pai do preconceito étnico. A proibição valeria também para os descendentes dos ingleses nos Estados Unidos. Quanto à questão do incesto surge inexoravelmente quando crianças não irmãs de sangue são criadas juntas, como irmãs, e após o despertar do sexo a partir da adolescência começam a ver o seu ‘irmão’ ou ‘irmã’ com outros olhos.

Tudo isso, isto é, essas paixões humanas, estão no filme a ponto de desconfiarmos que nem pareça um ‘faroeste’. Apenas a sua contextualização espácio-temporal é que autoriza classificá-lo dessa maneira.

O filme escolhido pelos fiéis freqüentadores do CineClube da 3ªIDADE “Maria José Sodré”O Passado Não Perdoa – para esta 6ª feira, 25 de novembro de 2011, é a oportunidade de se ver uma das maiores lendas do Cinema estadunidense – Lillian Gish, junto a um grande elenco encabeçado por Burt Lancaster e Audrey Hepburn. IMPERDÍVEL !

17
nov
11

A primeira página

A PRIMEIRA PÁGINA/THE FRONT PAGE, de BILLY WILDER (1974) com JACK LEMMON, WALTHER MATTHAU e SUSAN SARANDON

Depois de terem assistido ao filme A Primeira Página, de Billy Wilder, realizado em 1974, recomenda-se aos estudantes de Jornalismo, caso porventura ainda ignorem, correrem atrás de suprir uma lacuna em sua formação profissional assistindo ao outro filme que Billy Wilder realizou anteriormente – A Montanha dos Sete Abutres/The Big Carnival (1951).

Também pode ser motivo de estudo para os futuros jornalistas a análise comparativa entre esta versão de Billy Wilder para a peça teatral homônima dos roteiristas de Cinema Ben Hecht e Charles MacArthur e as duas outras versões realizadas anteriormente para o Cinema.

Como sempre, Jack Lemmon e Walter Matthau garantem a qualidade interpretativa para as personagens principais da trama.

A PRIMEIRA PÁGINA, de BILLY WILDER, é o filme que será visionado e debatido no CÍRCULO DAS ARTES IMAGÉTICAS, nessa 6ª feira, 18 de novembro de 2011. Uma revisita do diretor Billy Wilder ao tema do Jornalismo e uma oportunidade ao público geral, e principalmente aos estudantes de graduação em Jornalismo, de se inteirarem sobre uma profissão que muito tem de ser analisada para melhor ser exercida.. IMPERDÍVEL!!!

 

17
nov
11

Almas em suplício

ALMAS EM SUPLÍCIO/MILDRED PIERCE, de MICHAEL CURTIZ (1945), com JOAN CRAWFORD, ANN BLYTH, JACK CARSON.

Na sexta-feira desta semana – 18/11/11, o CineClube da Terceira Idade “Maria José Sodré”, exibe um filme do gênero ‘noir’ – Almas em suplício – que transformou a atriz Joan Crawford em estrela do Cinema com um papel forte que marcaria para sempre a sua carreira, Se o filme inteiro não bastasse para a fama que alcançou quando do seu lançamento, bastaria o grande primeiro close da atriz logo na segunda cena quando tenciona acabar com a sua vida atirando-se da ponte. Tudo está perfeito! A máscara da atriz, a iluminação da cena, e as falas do policial que a impede de se jogar.

No entanto, a primeira cena é que entrou para a história do Cinema e que tem sido reproduzida à exaustão em outros filmes.

Diz-se que nem todos os seres humanos deveriam ter o direito à procriação já que a grande maioria não consegue assumir a parcela que cabe aos pais na educação dos filhos que colocam no mundo. Quanto a isso é costumeiro argumentar que na maioria dos casos lhes faltam a competência para uma maternidade ou paternidade responsável.

Diz-se também que quando um casal começa a sua vida em comum totalmente abaixo de condições econômicas mínimas de subsistência e muito tem de ‘ralar’ para criarem os filhos adquirem a falsa idéia que trabalharão com afinco para dar aos filhos o que lhes faltou. Terminam por criarem filhos fracos e ávidos consumistas.

Almas em suplício dá ensejo a essa discussão o que faz aumentar ainda mais a sua importância.

Sabe-se, também, que por muitos séculos as Literaturas, tanto Épica – produzida para ser lida ou ouvida, quanto a Dramática – leia-se: os textos produzidos para serem ‘mostrados’ no Teatro, se constituíram no principal meio de comunicação por meio do qual poder-se-ia adquirir conhecimento sobre as experiências de vida dos seres humanos. Após o império isolado das Literaturas surgiram o Cinema e a Televisão como os meios de comunicação de massa da modernidade, e eles buscaram nos livros e nas peças teatrais a fonte para as Narrativas de seus produtos. Filmes cinematográficos e as telenovelas em sua grande maioria recontam os mesmos textos dos velhos meios, cada qual com sua linguagem própria.

Os tele-dramaturgos brasileiros, quase todos (há exceções) se limitam a “recortar e colar” as grandes cenas dos grandes filmes do Cinema. Ao assistirem Almas em suplício, fatalmente, os espectadores mais atentos perceberão que já viram as atrizes Regina Duarte e Glória Pires revivendo na tela da Rede Globo as relações conflituosas de Mildred Pierce e sua filha, na telenovela Vale Tudo, do escritor Gilberto Braga.

O filme escolhido pelos fiéis freqüentadores do CineClube da 3ªIDADE “Maria José Sodré”Almas em suplício – para esta 6ª feira, 11 de novembro de 2011, é a oportunidade de se ver uma das maiores interpretações do Cinema estadunidense com a ganhadora do prêmio Oscar, Joan Crawford. IMPERDÍVEL !

 




Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.